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Jean-Paul Sartre e Psicanlise
TENHO DOIS PONTOS de vista contrastantes a respeito da obra de Sartre. Uni, 6 que o seu pensamento 
precisa ser tomado com profunda seriedade como uma das contribuies indiscutivelmente importantes, em 
nosso tempo, para a interpretao do homem ocidental moderno na filosofia, psicologia e literatura. O meu 
outro ponto de vista  que alguns dos princpios subjacentes no pensamento de Sartre esto basicamente 
equivocados. E tambm me parece que levar em conta esses dois pontos de vista  a maneira mais construtiva 
e proveitosa de Sartre ser abordado pelos estudantes universitrios e outras pessoas debruadas sobre o 
pensamento moderno. 
Para apreciar a contribuio de Sartre devemos,  claro, dissoci4o primeiro das interpretaes superficiais de 
suas idias pelos extremistas do Caf Deux Magois e da margem esquerda do  Sena e do Hudson. Certo, o 
prprio Sartre favoreceu essas interpretaes errneas com suas declaraes superficialmente arrojadas, como 
aquela com que termina o captulo III de Psicanlise Existencial: O homem  uma paixo intil. Mas intil 
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pode ser aqui entendido como para no ser utilizada. Para alm das implicaes niilistas de alguns de seus termos,  a 
que reside, realmente, a veemente e imperecvel insistncia de Sartre de que o homem no  um objeto para ser usado, quer 
por Deus ou pela psiquiatria e a psicologia, ou manipulado pelos gigantescos computadores do industrialismo moderno, ou 
convertido num passivo consumidor mecnico da comunicao de massa. 
Tampouco o homem  para ser usado, atravs da sua prpria manipulao de si mesmo, como uma mquina psicolgica a 
ser ajustada ou moldada pelo pensamento positivo de Norman Vincent Peale, para se transformar num homem-
organizao e obter xito na Madison Avenue. O homem no  um objeto que possa ser metido  fora no papel exigido 
pela sociedade moderna  para ser unicamente um criado ou um condutor ou uma me, unicamente um patro ou um 
trabalhador, como Hazel Barnes escreve na introduo  sua traduo de Sartre. 1 E diz ainda, corretamente; Em meu 
juzo, este aspecto do existencialismo de Sartre  uma das suas mais positivas e mais importantes contribuies  a 
tentativa de fazer com que o homem contemporneo volte a zelar pelo seu prprio eu e recuse deixar-se absorver num 
papel, no palco de um teatro de marionetes. 
Ao longo destas pginas, o leitor encontrar os contundentes ataques de Sartre  psicologia contempornea, que v o 
homem como um objeto para condicionamento ou sustenta qte o indivduo  apenas a interseo de planos universais. 2 
Escreve Sartre que, se considerarmos o homem capaz de ser analisado e reduzido a dados originais, a impulsos (ou 
desejos) determinados, sustentados pelo sujeito como propriedades de um objeto, poderemos acabar, de fato, num 
sistema imponente de substncias a que chamaremos, ento, mecanismos, ou dinamismos, ou padres. Mas ns, 
inevitavelmente, defrontar-nos-emos com um dilema, O nosso ser humano tornou-se uma espcie de argila indeterminada 
que teria de receber passivamente [os desejos]  ou estaria reduzido a um simples feixe desses impulsos ou tendncias 
irredutveis. Num caso ou no outro, o homem desaparece; deixamos de poder descobrir aquele a quem esta ou aquela 
experincia aconteceu.  
Assim, Sartre presenteia-nos com um enunciado sumamente vigoroso da liberdade humana e da responsabilidade individual. 
Eu sou as minhas escolhas, proclamou ele repetidamente, sob vrias formas. Em seu teatro, Sartre afirma contnua e 
poderosamente esse princpio: Orestes, o principal personagem de As Moscas, protesta contra um Zeus manipulador e 
diletante; Eu sou a minha liberdade! Sem temer as advertncias de Zeus sobre o grande desespero e angstia que 
acompanham os passos do homem livre, Orestes grita: A vida humana comea no ponto mais distante do desespero! Ao 
considerar a liberdade como a potencialidade central e nica que constitui o homem como ser humano, Sartre deu-nos o 
enunciado mais extremo do existencialismo moderno. 
Mas o homem sartriano, tambm  verdade, torna-se uma criatura solitria, individualista, erguendo-se sozinho na base do 
seu desafio contra Deus e a sociedade. A base filosfica desse princpio est no famoso enunciado de Sartre: Liberdade  
existncia e nela a existncia precede a essncia. Quer dizer, no h essncias  nenhuma verdade, nenhuma estrutura na 
realidade, nenhuma forma lgica, nenhum Logos nem Deus ou qualquer moralidade  exceto  medida que o homem, ao 
afirmar a sua liberdade, faz essas verdades. 
Isto leva-nos ao que, em minha opinio,  a crtica fundamental ao pensamento de Sartre. Desejo apresentar essa crtica nas 
palavras de Paul Tillich, que viu com equilibrada sabedoria o significado do moderno movimento existencial e tambm a 
posio nele ocupada por Sartre: 
Em contraste com a situao.., depois da Segunda Guerra Mundial, quando a maioria das pessoas identificaram o 
existencialismo com Sartre,  hoje de conhecimento comum neste pas que o existencialismo, na histria intelectual do 
Ocidente, comeou com Pascal no sculo XVII, tem uma histria clandestina no sculo XVIII, uma histria revolucionria 
no sculo XIX e uma surpreendente vitria no sculo XX. O existencialismo tornou-se o estilo do nosso perodo, em todos 
os domnios da vida. At os filsofos analticos lhe pagam seu tributo, ao retirarem-se para a esfera dos problemas formais 
e deixarem livre o campo dos problemas materiais para os existencialistas, na arte e na literatura. 
Contudo, s em raros momentos desse desenvolvimento monumental  que foi alcanado um existencialismo quase puro. 
Um exemplo  a doutrina do homem, de Sartre. Refiro-me a um enunciado em que toda a problemtica do essencialismo e 
existencialismo fica a descoberto, a famosa frase de Sartre segundo a qual a essncia do homem  a sua existncia. O 
significado dessa frase  que o homem  um ser de que nenhuma essncia pode ser afirmada, pois que tal essncia 
introduziria um elemento permanente, em contradio com o poder do homem para transformar-se indefinidamente. De 
acordo com Sartre, o homem  o que ele faz para ser. 
Mas se perguntarmos se esse enunciado, contra a sua prpria inteno, no ter sido uma afirmao sobre a natureza 
essencial do homem, devemos certamente diser que foi. A natureza particular do homem  o seu poder para criar-se. E se 
indagarmos tambm como  que tal poder  possvel e como deve ser estruturado, necessitaremos de uma doutrina 
essencialista plenamente desenvolvida para responder; em resumo, devemos conhecer sobre seu corpo e seu esprito, sobre 
aquelas questes que, durante milnios, tm sido discutidas em termos essencialistas. 
Somente na base de uma doutrina essencialista de liberdade  que o enunciado de Sartre se reveste de algum sentido. Tanto 
na Teologia como na Filosofia, o existencialismo no pode viver por ai mesmo. Ele s pode existir como elemento de 
contraste, dentro de um quadro essencialista .
Por outras palavras, no podemos ter liberdade ou um indivduo livre sem alguma estrutura em que (ou, no caso de desafio, 
contra a qual) o indivduo atua. Liberdade e estrutura esto mutuamente implcitas. E, sem dvida, Sartre tem alguma 
estrutura. Na minha opinio, Sartre pressupe muito mais da tradio humanista do pensamento ocidental e at muito mais 
dos conceitos hebraico-cristos sobre o significado e valor da pessoa do que ele parece aperceber-se ou declarar 
explicitamente. Ele tambm pressups a crena hebraico-crist no significado moral da Histria. Os profetas Ams e lsaas, 
por exemplo, clamam contra perversidade na base dos princpios de justia pelos quais at Deus tinha de prestar contas. 
Sartre pressupe princpios morais semelhantes ao desafiar tais princpios. H uma pressuposio, em toda a obra de 
Sartre  uma pressuposio que deve muito a Descartes e ao racionalismo francs e recebeu um reforo de convico atravs 
de Kierkegaard e Nietzsche  de que existe uma estrutura significativa na vida e at na sociedade burguesa ocidental, para 
que seja possvel a algum como Sartre bater-se to vigorosamente contra ela. Ser um anti-Cristo, como Nietzsche, 
pressupe o Cristo. 
O mesmo pode ser dito, certamente, sobre a abordagem da psicanlise por Sartre. Nesse volume, ele pressupe Freud para  
lutar significativamente contra ele. O fato da psicanlise ser possvel, de que o homem possa superar 
os problemas psicolgicos e de que uma pessoa (o terapeuta) possa ajudar uma outra (o chamado 
paciente), pressupe uma estrutura significativa na psique humana e nos relacionamento humanos, 
quer essa estrutura seja revelada em sonhos, em deslizes da lngua, em recordao da histria da 
infncia, em sintomas neurticos etc. Foi essa estrutura que Freud tentou descrever e, depois, 
sistematizar.  claro que existem erros fundamentais no sistema que resultou do esforo realizado 
por Freud. E creio que Sartre conseguiu, nesse livro, penetrar com seu aguado e incisivo bisturi em 
muitos desses erros. Mas s poderia faz-lo se, para comear, aceitasse como pressuposto o 
esforo essencialista sistemtico de Freud. 
Um lugar em que Sartre pressupe demasiadamente Freud  no prprio ttulo do seu livro, O nome de 
Psicanlise Existencial sugere que Sartre vai oferecer-nos uma forma alternativa de psicanlise. Ora, isso ele 
no fez nem pretendeu fazer; com efeito, reconhece justamente que uma psicanlise existencial genuna no 
pode ser ainda formulada nem escrita. O seu livro, pelo contrrio, formula crticas fundamentais  psicologia 
moderna, em geral, e ao determinismo de Freud, em particular; e oferece-nos a anlise freqentemente brilhante 
de Sartre desses erros, bem como as suas propostas para corrigi-los. Tambm indica em que direo uma 
psicanlise existencial poderia ser desenvolvida. Sartre faz tudo isso na base de sua compreenso existencial 
do homem e sua inabalvel convico de que o ser humano no pode, simplesmente, ser entendido se apenas 
virmos nele o que o nosso estudo de formas subumanas de vida nos permite ver, ou se o reduzirmos a 
determinismos naturalistas ou mecnicos, ou o fragmentarmos em instintos separados ou conjuntos de 
estmulos e reaes, ou de qualquer outra forma que retire ao homem que procuramos estudar a sua liberdade e 
responsabilidade individual bsica. 
Mencionarei agora alguns dos pontos centrais e, em minha opinio, altamente significativos que Sartre 
desenvolveu em Psicanlise Existencial. No tentarei faz-lo lgica ou sistematicamente mas, antes, de uma 
forma que, espero, indicar algo sobre a natureza e o significado da contribuio de Freud. 
Primeiro Sartre sublinha que as formas usuais de explica o que dominam grande parte da Psicologia e da 
Psicanlise, simplesmente, no explicam coisa alguma. Usando o caso de Flaubert e a questo sobre como ele 
se tornou escritor, Sartre assinala que a explicao de Bourget, em termos de padres 
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emocionais gerais, e a alegada necessidade de Flaubert de evadir-se para menos violentas form4s de expresso escrita, 
esconde precisamente aquilo que precisamos compreender. As explicaes tambm nos apartam da pessoa. Perdemos 
Flaubert. 
Os mecanismos freudianos como projeo, introjeo, transferncia, tampouco servem de explicao, visto que 
nunca podemos saltar de uma lei abstrata geral para a singularidade de uma dada pessoa. Como tantos dentre ns 
descobrem na Psicanlise, o problema crtico  sempre o de saber se a lei geral pode ou no ser aplicada a essa pessoa 
dada, nesse momento dado da sua histria. Esse  o calcanhar de Aquiles de todas as leis gerais usadas para explicar os 
seres humanos individuais e  freqentemente um ponto que se passa por alto em nossas crenas demasiado simplistas e 
apressadas, em nossa abordagem especial da cincia. 
Sartre tampouco aceitar qualquer explicao em termos de determinismo pelo passado. Sartre  demasiado inteligente 
para no saber que estamos todos sujeitos a influncias determinantes, em todo e qualquer ponto. Somos determinados, 
pelo nosso nascimento, para uma certa f4mlia de um certo status cultural e econmico; determinados pelos nossos 
corpos, pelas necessidades instintivas, pelos traumas emocionais passados e assim por diante, ad infinitum. A nica 
dificuldade, argumenta ele,  que nenhuma dessas explicaes nos elucida o que queremos saber  por que uma certa pessoa, 
como Flaubert, num certo ponto da sua histria, decide tornar-se escritor. E por que ela afirma essa deciso de mil e uma 
maneiras e graus diferentes, em mil e uma ocasies diferentes? A realidade humana, insiste Sartre, identifica-se e define-se 
pelos fins que persegue, no pelas alegadas causas hipotticas no passado. 
Tampouco  possvel explicar o superior pelo inferior em termos evolucionrios. O problema crucial na compreenso 
do homem no  que atributos o homem possui em comum com o cavalo, o co ou o rato, mas o que o constitui, 
singularmente, como homem. 
Alm disso, no podemos explicar a pessoa pelo recurso a discorrer sobre o meio. Sartre insiste  e eu penso que com toda 
a razo  em que o meio s pode atuar sobre o sujeito na medida exata em que este abrange aquele, em que o sujeito 
transforma e meio numa situao. Eu depreendo que Sartre quis dizer com o termo abrange que o indivduo tem um re-
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lacionamento significativo com esse meio, essa situao presente. Muitos de ns incluiriam (o que Sartre no fez) 
elementos de que o indivduo  inconsciente nesse relacionamento significativo. 
O psicanalista, prossegue Sartre, no ser capaz de aplicar smbolos especficos. de pessoa para pessoa mas ter de 
redescobrir, a cada passo, um smbolo funcionando no caso particular que est examinando. Sartre acha que a diviso da 
pessoa em ego e id no nos ajuda. Uma pessoa s  o seu id quando adota uma atitude passiva em relao a ele, isto , em 
relao s chamadas foras inconscientes, impulsos etc. que Freud postulara. 
Em todos estes pontos bsicos, Sartre, como os demais psiclogos fenomenolgicos, se alinha firmemente do lado das 
psicologias da compreenso, em vez das psicologias da explicao. Entretanto, a psicologia existencial no , em 
absoluto, uma anarquia ou uma forma de misticismo; ela tem seus princpios e sua estrutura. 
Passemos agora ao lado positivo da psicanlise de Sartre. O princpio central da psicanlise existencial no ser a libido, 
ou a vontade de poder, mas a escolha de ser do indivduo. A meta da psicanlise existencial  redescobrir, atravs desses 
projetos empricos, concretos, o modo original em que cada homem escolheu o seu ser. E ainda: A psicanlise existencial 
 um mtodo destinado a trazer  luz, numa forma estritamente objetiva, a escolha subjetiva pela qual cada pessoa se faz 
uma pessoa. 8 Se admitirmos que a pessoa  uma totalidade, argumenta Sartre,  bvio que no podemos chegar a essa 
totalidade somando, simplesmente, diversas parcelas. Encontr-la-emos, antes, numa escolha de um carter inteligvel, 
visto que eu no sou mais do que a escolha do meu prprio eu como uma totalidade,  num relacionamento concreto com 
o mundo. 
Subentendida em tudo isto,  claro, est a insistncia de Sartre na responsabilidade individual: Eu sou as minhas 
escoifias. O leitor entender isto melhor se interpretar as escolhas no, simplesmente, como as grandes resolues 
tomadas no dia de Ano Novo, mas como uma forma especfica e intencional de me relacionar com o meu mundo, neste 
momento dado. Com efeito, at a livre associao, em Psicanlise, se quisermos que ela seja proveitosa e vivel, depende 
dessa entrega do nosso eu ao processo, dessa aceitao de um risco; at a 
 
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recordao de uma lembrana reprimida da infncia exige tal orientao intencional para o mundo de que essa lembrana faz 
parte. Acho que Sartre simplifica demais o problema da liberdade, como disse acima. Mas no creio que possamos evitar a 
profunda coerncia lgica da sua penetrante interrogao: No  essa escolha o ponto, por excelncia, em que 
encontramos revelada a totalidade do ser humano? Como Paul Tillich observa, num outro contexto, o homem s 
se torna verdadeiramente humano no momento de deciso. 
Essa escolha no deve ser considerada apenas no nvel da conscincia ou consistindo to-s de decises voluntrias e 
ponderadas. Sartre fala de determinaes espontneas do nosso ser e certamente acredita que, em toda e qualquer 
escolha, a totalidade do eu  sonhos, desejos, gostos, poderes, experincia passada e esperanas futuras  est envolvida. 
Assim, no seu conceito de escolha, Sartre parece incluir alguns aspectos do que os freudianos chamam o inconsciente. 
O leitor de Sartre tambm ficar impressionado pela sua penetrante anlise da m f. A m f significa enganar, ludibriar 
o prprio eu, auto-sugesto. O ser humano distingue-se pelo fato de poder mentir a si mesmo. E fazer essa coisa 
extraordinria requer que eu conhea em algum nvel, que eu sou aquele que est mentindo a si mesmo; caso contrrio, eu 
no poderia faz-lo. A mentira  um comportamento de transcendncia, observa muito bem Sartre. 1 Estar de m f 
significa ser culpado de no aceitar o prprio eu como pessoa livre mas tom-lo como um objeto. Sartre sustenta que a 
psicanlise clssica retira, precisamente; esse centro crucial de responsabilidade pela nossa auto-sugesto; a psicanlise 
clssica acusa ele, baseia-se na idia de uma mentira sem mentiroso. 
Sartre  constrangido a negar a existncia do o inconsciente, visto que mesmo na auto-sugesto eu sei que sou aquele que 
estou me ludibriando; e o chamado censor que Freud postulou como postado  porta do inconsciente deve ser tambm 
consciente, a fim de saber o que deve ser reprimido. Na sua negao de o inconsciente, Sartre situa-se na linha geral dos 
psiclogos e psiquiatras fenomenolgicos, como Goldstein, Biswanger e Boss. 
 medida que Sartre est atacando a idia de cheque em branco ou de poro para o inconsciente  a idia de que 
podemos explicar qualquer coisa mediante a hiptese de algo enterrado no inconsciente  estou com ele. Mas creio que 
Sartre foi longe demais em sua rejeio. 
 Finalmente, devemos assinalar a nfase de Sartre sobre a ontologia  o estudo do ser, o que constitui o homem coma 
homem  como a base necessria para a Psicanlise. Onde pra a Ontologia comea a Psicanlise; as descobertas finais da 
ontologia so os primeiros princpios da Psicanlise. 12 A ontologia  um conceito difcil mas, dada a definio certa, creio 
que a principal idia de Sartre, neste ponto,  inteiramente correta e muito importante. Repetimos a advertncia de Sartre 
ao encerrar um de seus captulos: no se deve supor que a sua psicanlise  um sistema tcnico recm-elaborado. Ele 
afirmou, como j dissemos, que no acreditava que uma psicanlise existencial pudesse ser ainda escrita; mas sugere que os 
seus primrdios esto presentes em vrios documentos humanos. O prprio Sartre acredita no grande valor das biografias, 
por exemplo, para a elaborao desses princPios. Tal como Allport. Maslow, McKinnnon e Murray, entre os psiclogos 
deste pas, Sartre estudaria as aes da vida ajustadas com xito, o estilo do escritor e outros aspectos criativos e 
construtivos do comportamento. Esses elementos revelam  se formos capazes de entend-los  o significado central tanto 
da experincia humana quanto (e, em alguns aspectos, mais do que) a neurose e a psicose. 
